Rebeca Andrade Revela Sonhos Pós-Pausa, Defende Liberdade de Uniformes e Inspira Nova Geração na Ginástica

Retorno Planejado e Foco na Saúde

Após um período sabático em 2025, a ginasta Rebeca Andrade, recordista de medalhas olímpicas para o Brasil, está de volta às competições com uma abordagem focada no bem-estar físico e mental. A decisão de pausar a carreira partiu da própria atleta e foi amplamente apoiada por sua família. “Foi de extrema importância para o cuidado, principalmente mental, mas físico também”, declarou Rebeca em entrevista à ESPN, ressaltando a oportunidade de aproveitar mais tempo com a família e realizar viagens pessoais.

A volta aos treinos está sendo conduzida sem pressa, com ênfase no fortalecimento do corpo para garantir a segurança e o desempenho. “A gente não está correndo com nada. Eu preciso voltar a fortalecer meu corpo para que eu me sinta preparada”, explicou a atleta, que ainda não definiu os torneios específicos que disputará neste ano, deixando a decisão a cargo de seu técnico.

Sonhos e Objetivos na Paralela

Apesar de suas inúmeras conquistas, incluindo o título mundial e o prêmio Laureus, Rebeca Andrade ainda nutre sonhos. Seu principal objetivo é classificar a equipe brasileira para as Olimpíadas de Los Angeles 2028 e alcançar finais individuais nos aparelhos. Um desejo particular é conquistar uma medalha olímpica nas barras assimétricas, seu aparelho favorito e o único que lhe falta no currículo de grandes competições. “Está faltando só a olímpica”, confessou.

No entanto, a ginasta demonstra maturidade ao afirmar que a ausência dessa medalha não definirá sua carreira. “Se não acontecer também, não vai ser algo em que eu vou passar o resto da minha vida pensando ‘nossa, eu fui uma atleta horrível porque não consegui a medalha que eu queria’. Não tem isso”, disse, reafirmando seu compromisso com o treinamento e a dedicação ao aparelho.

Libertade e Conforto nos Uniformes

Rebeca Andrade também se posicionou firmemente sobre a liberdade de escolha nos uniformes das ginastas, defendendo que o conforto e o bem-estar das atletas devem prevalecer. Inspirada pela luta de ginastas alemãs e de outras modalidades, ela apoia a decisão de usar roupas que façam as mulheres se sentirem bem, seja um collant tradicional, um macacão (unitard) ou shorts. “Eu acho que a pessoa tem que estar confortável, e isso é o que importa, sem afetar a forma como ela vai competir”, afirmou.

A atleta ressaltou que, embora ela pessoalmente se sinta confortável com o collant padrão, a autonomia para outras escolhas é fundamental. “Agora, se a atleta que está do meu lado não se sente bem, o que impede ela de usar uma roupa que a deixe confortável, sabe? Eu acho que na vida toda deveria ser assim. Eu acho que deveriam respeitar as mulheres dessa forma”, defendeu, celebrando a permissão da Federação Internacional de Ginástica para o uso de unitards.

Inspiração para uma Nova Geração

Com sua trajetória inspiradora, Rebeca Andrade se tornou um ícone para muitas meninas no Brasil, impulsionando o crescimento da ginástica artística no país. Ela observa um aumento significativo no número de crianças e adolescentes interessados no esporte, o que, segundo ela, pode servir como porta de entrada para outras modalidades. “A ginástica dá para ela um jeito de se movimentar que serve para outro esporte, e ela começa a se destacar naquele outro”, comentou.

Para as futuras ginastas, Rebeca deixa uma mensagem de encorajamento: “Que elas acreditem muito nelas e que tenham referências de onde querem chegar e como gostariam de ser no futuro. Que se empenhem muito e que, por mais que tenham referências fortes, a força vem de dentro delas.”

Fonte: www.espn.com.br

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