Presidente da CBV defende formação de talentos no vôlei brasileiro e nega ‘seca’ de craques apesar de jejum de títulos
Base do vôlei nacional sob os holofotes
O presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Radamés Lattari, saiu em defesa do trabalho de formação de atletas no Brasil. Apesar do jejum de títulos recentes nas categorias de base, Lattari assegura que o país não sofre com a escassez de talentos. Ele admitiu, contudo, que o momento delicado afetou a percepção das seleções de base no cenário internacional.
“Não, eu acho que a fonte (novos talentos) não seca nunca. Nós tivemos um momento de dificuldades financeiras alguns anos atrás, que fez com que o Brasil perdesse um pouco daquele intercâmbio internacional que as nossas equipes de base faziam com as equipes, principalmente com as equipes europeias”, explicou Lattari em entrevista ao programa “Esporte Espetacular”, da Rede Globo.
Investimento e acompanhamento contínuo
Lattari destacou que a CBV mantém um processo rigoroso de acompanhamento de jovens atletas, desde as categorias iniciais. O Centro de Treinamento de Saquarema (RJ) é um dos pilares dessa estratégia. “Em janeiro, normalmente, a gente traz 80 jogadores para o Centro de Treinamento de Saquarema, com idade baixa, de 13, 14, 15 anos, e esse espaço vai ter um acompanhamento ao longo do tempo, seja na quadra, seja na praia, masculino e feminino. A melhoria é nítida”, afirmou o dirigente.
Desafios na padronização e resultados recentes
O vôlei masculino brasileiro não conquista um título mundial de base desde 2009. No último Mundial sub-19, a equipe terminou em décimo lugar, e no sub-21, em décimo oitavo. Uma das críticas recorrentes é a falta de padronização nas regras das categorias de base, como a altura da rede e a divisão por faixas etárias entre as federações. “Essa padronização (entre as federações) não é tão fácil, mas a gente tenta, várias vezes nas reuniões, tenta padronizar não só a idade, como a altura da rede, que às vezes de um lugar para outro também muda um pouquinho”, comentou Lattari.
Apesar do cenário desafiador, a geração mais jovem do vôlei masculino trouxe um motivo de comemoração ao conquistar a medalha de bronze no Mundial sub-17 em Doha, Catar, após vencer a Argentina por 3 sets a 1. Na semifinal, o Brasil foi eliminado pela França, enquanto o Irã sagrou-se campeão.
Confiança em Bernardinho e renovação na seleção principal
Em relação à seleção principal, Lattari reiterou a confiança no trabalho de Bernardinho, que reassumiu o comando da equipe em um momento de renovação. No entanto, a equipe amargou a eliminação na primeira fase da Liga das Nações. “Eu tenho uma confiança imensa no trabalho que o Bernardo (Bernardinho, técnico da Seleção principal) vem fazendo. Acho que todos estão se dedicando ao máximo. É uma competição muito difícil, porque talvez seja uma competição de um jogo só, sem querer desmerecer os demais”, concluiu o presidente da CBV.
Fonte: webvolei.com.br



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