Nalbert: “Não vejo bichos-papões no vôlei mundial” e critica gestão da base no Brasil

Brasil em Reconstrução, Mas Sem Dominantes no Cenário Mundial

O ex-jogador de vôlei Nalbert, campeão olímpico em Atenas 2004, apresentou uma visão otimista, porém realista, sobre o momento atual da Seleção masculina brasileira. Contrariando a percepção de que o Brasil estaria distante das potências mundiais devido a um período de reconstrução, Nalbert argumenta que o cenário internacional não apresenta equipes inatingíveis. “Não vejo bichos-papões no vôlei mundial. Discordo da ideia de que o nível está lá em cima. Não tem um timaço”, afirmou em entrevista ao quadro “Abre Aspas”, do “ge”. Ele acredita que, com o desenvolvimento de novos talentos e um trabalho mais coeso nos próximos dois anos, o Brasil tem plenas condições de retornar à disputa por títulos.

Apostas na Base e Críticas à Gestão Esportiva

A principal preocupação de Nalbert reside nas categorias de base do vôlei brasileiro. Ele alerta que os problemas enfrentados pela seleção adulta estão diretamente ligados à formação de novos atletas e que essa questão já é motivo de alerta há uma década. Nalbert critica a estrutura administrativa do esporte no país, apontando que federações e confederações são excessivamente políticas e priorizam relações em detrimento da competência. “Quem comanda, em muitos casos, não é um gestor qualificado”, declarou, defendendo a necessidade de profissionais mais capacitados para gerir a cadeia de formação.

Decisões Individuais e Mentalidade Vencedora

Para Nalbert, o período de reconstrução da Seleção é uma oportunidade para integrar jogadores experientes e aprimorar decisões individuais. Ele enfatiza a importância de os atletas se dedicarem aos treinamentos, tomarem decisões de carreira mais conscientes e focarem no desenvolvimento coletivo, minimizando distrações como o uso excessivo de celulares. “O celular pode estragar a vida de qualquer pessoa”, alertou. Ele também ressaltou a importância de ter psicólogos nas equipes para auxiliar no desenvolvimento da mentalidade vencedora, essencial para superar a insegurança e a pressão.

Reflexões sobre o Passado e o Futuro

O ex-jogador relembrou um dos momentos mais difíceis de sua carreira: o corte da Seleção para os Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Apesar da dor inicial, Nalbert afirma ter superado o episódio e compreende que faz parte do jogo. Ele também comentou o trabalho atual de Bernardinho e Zé Roberto Guimarães na reorganização do vôlei brasileiro, questionando por que tais mudanças não ocorreram antes e atribuindo a responsabilidade à gestão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Nalbert defende uma reflexão profunda sobre a alocação de recursos e a formação de treinadores para garantir um futuro promissor para o esporte no Brasil.

Fonte: webvolei.com.br

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