Há 60 anos, o dia que ecoou na história do tênis brasileiro: a glória inédita de Maria Esther Bueno, Barnes e Koch no US Open

Há 60 anos, o dia que ecoou na história do tênis brasileiro: a glória inédita de Maria Esther Bueno, Barnes e Koch no US Open

Em 4 de setembro de 1963, três tenistas brasileiros alcançaram feitos memoráveis em Forest Hills, marcando um capítulo dourado para o esporte nacional em um Grand Slam.

Em uma ensolarada quinta-feira de 1963, com 27 graus em Nova York, Maria Esther Bueno, Ronald Barnes e Thomaz Koch adentraram as quadras de grama do West Side Tennis Club, em Forest Hills. Naquele dia, há 63 anos, o tênis brasileiro escrevia seu capítulo mais vitorioso em um evento de Grand Slam, um feito que até hoje não foi igualado.

Um dia histórico para o tênis brasileiro

A força das redes sociais de hoje mal poderia conceber o impacto que um dia como aquele geraria. Thomaz Koch, então juvenil, alcançou as quartas de final. Ronald Barnes, carioca do Country Club, chegou à semifinal, a única masculina da história brasileira no torneio. E a já consagrada Maria Esther Bueno, que viria a conquistar o título, caminhava para seu segundo troféu de simples em Nova York, após sua vitória em 1959 e antes das conquistas de 1964 e 1966. Naquele dia, ela derrotou a lendária australiana Margaret Smith.

Forest Hills: palco de lendas e inovações

Na época, o US Open, então conhecido como US National Championships, era disputado em quadras de grama natural. O West Side Tennis Club, que hoje abriga quadras sintéticas, de saibro e har-tru, tem uma rica história. Foi ali que o Brasil disputou seu primeiro jogo de Copa Davis em 1932. Forest Hills sediou 60 edições do campeonato, viu a criação do sistema de cabeças de chave em 1927, do tiebreak em 1970 e da premiação igual para homens e mulheres em 1973. Em 1978, o torneio mudou-se para o National Tennis Center em Flushing Meadows.

O amadorismo romântico e o prenúncio de uma geração de ouro

Em 1963, o tênis ainda era amador, sem os milhões em premiações de hoje. Thomaz Koch, com 18 anos, já era considerado o melhor juvenil do mundo, tendo vencido o Orange Bowl e chegado a finais juvenis de Roland Garros. Barnes e outros jovens como Ivo Ribeiro e Edison Mandarino também demonstravam grande potencial, com resultados expressivos em torneios juniores. O sucesso de 1963 não foi um acaso, mas o auge de uma geração que exigiu cerca de 10 anos de trabalho para se formar.

O legado do Pan de São Paulo e a presença nos Grand Slams

Pouco antes do feito em Nova York, os Jogos Pan-Americanos de 1963 em São Paulo também foram palco de conquistas brasileiras. Barnes ganhou ouro em simples e duplas, Koch levou bronze em duplas, e Maria Esther Bueno conquistou uma medalha de ouro e duas de prata, mesmo após ser mordida por um cachorro. A presença brasileira nos Grand Slams daquele ano também foi notável, com Barnes chegando às oitavas de Roland Garros e Maria Esther às quartas em Wimbledon, antes do ápice em Forest Hills.

Aquele US Open de 1963 representou um momento único, onde os grandes troféus escaparam das mãos dos tradicionais vencedores americanos, europeus e australianos, com a conquista de Maria Esther e do mexicano Rafael Osuña no masculino. Um dia que solidificou a importância do tênis brasileiro no cenário mundial.

Fonte: tenisbrasil.uol.com.br

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