Chuva, surpresas e escorregões marcam o início da temporada de grama no tênis: veja os destaques e as zebras

A temporada de grama europeia mal começou e já provou ser um palco imprevisível para o tênis. A curtíssima passagem por esta superfície natural tem bagunçado chaves, revelado heróis temporários e, invariavelmente, favorecido a experiência dos jogadores mais veteranos. A chuva, um fator constante neste período, tem sido a principal vilã, causando paralisações, longas esperas e rodadas duplas, testando a paciência e a resistência dos atletas, um cenário que deve se estender até Wimbledon.

Zebras em s-Hertogenbosch e a força da juventude

Os tradicionais torneios combinados de s-Hertogenbosch foram palco de campeões totalmente inesperados. No masculino, o polonês Kamil Majchrzak, de 30 anos, conquistou seu primeiro título ATP. Com um bom saque, solidez na base e a leveza de pés essencial para a grama, Majchrzak superou adversários de peso como Félix Aliassime, Daniil Medvedev e Alex de Minaur, todos com histórico na superfície. No feminino, a jovem Robin Montgomery, de apenas 21 anos e 484ª do mundo, faturou um troféu inédito, demonstrando a dificuldade em enfrentar canhotos na grama. Apesar de não ter vencido cabeças de chave, Montgomery apresentou um jogo consistente e bolas anguladas contra Daria Kasatkina, Greet Minnen e Ajla Tomljanovic. A desistência de Barbora Krejicikova por doença na final, no entanto, facilitou o caminho da americana.

Queen’s: da sorte ao azar e esperanças locais

As surpresas também dominaram o torneio de Queen’s, apesar da campeã Donna Vekic já ter alcançado semifinais em Wimbledon. Entrando como lucky-loser, Vekic se beneficiou da queda de Elena Rybakina para Katie Boulter nas quartas de final, a quem a croata venceu facilmente na sequência. A lamentável lesão de ligamento no joelho de Victoria Mboko, resultado de escorregões, a tirou das duplas com Serena Williams e, crucialmente, de Wimbledon. Em contrapartida, a torcida local celebrou a ótima campanha de Emma Raducanu, que subiu para a 31ª posição do ranking e se credenciou como cabeça de chave para o Grand Slam britânico.

Stuttgart: a lógica prevalece, mas com esforço

Em Stuttgart, a lógica foi a única a prevalecer, com os dois principais cabeças de chave decidindo o título. No entanto, o campeão Ben Shelton e o vice-campeão Taylor Fritz enfrentaram adversários duros em suas jornadas. Shelton, o canhoto, precisou virar jogos e decidir em tiebreaks contra Marcos Giron, Sho Shimabukuro e Jiri Lehecka. Fritz, por sua vez, escapou de Martin Landaluce e Mattia Bellucci em partidas apertadas. Shelton soma agora três títulos em 2026, cada um em uma superfície diferente.

Experiência e adaptação na grama

O retorno de Nick Kyrgios, sempre habilidoso na grama, e as performances de Marin Cilic e Adrian Mannarino, que eliminou os sacadores Gabriel Diallo e Arthur Rinderknech, reforçam a importância da experiência nesta superfície. A adaptação de Mannarino, em particular, demonstra como jogadores com bom repertório e adaptação rápida podem surpreender. No circuito masculino, João Fonseca retorna a Halle, onde enfrentará Yannick Hanfmann, buscando melhorar seu desempenho anterior e, quem sabe, reencontrar Alexander Zverev. A participação em duplas no quali foi uma estratégia para auxiliar na adaptação ao piso e clima após a temporada de saibro. Halle se destaca pela força do seu elenco, com seis top 10, superando Queen’s. Enquanto isso, Berlim promete um torneio feminino equilibrado com a presença de Sabalenka, Gauff, Pegula e Svitolina, servindo como um ótimo teste para Wimbledon. Serena Williams, que optou por não retornar em simples, jogará duplas em Berlim ao lado de Muchova, em um torneio que também contará com a parceria Gauff/Pegula e Ingrid Martins com Isabelle Haverlag.

Fonte: tenisbrasil.uol.com.br

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