Camila Brait se despede do vôlei em alta e com coração grato após 18 anos de fidelidade ao Osasco

Uma Despedida Digna de Lenda

Camila Brait encerra sua vitoriosa trajetória como atleta profissional em grande estilo. Eleita a melhor líbero da Superliga 2025/26 e homenageada na grande final, a jogadora se consolida como um símbolo de talento, dedicação, resiliência e, acima de tudo, amor. Amor que transborda para a família, os filhos, o esporte e, de forma notável, para o Osasco São Cristóvão Saúde, clube que defendeu com uma fidelidade rara por 18 anos.

Osasco: Um Amor para a Vida

A escolha por permanecer 18 anos seguidos no Osasco transcende o profissionalismo. “Osasco é minha casa”, declara Brait, que chegou ao clube aos 19 anos. O técnico Luizomar de Moura foi fundamental, acreditando em seu potencial quando nem ela mesma o fazia. Ali, formou sua família, conheceu o marido e viu seus filhos, Alice e Romeo, crescerem entre treinos e jogos no ginásio Liberatti. “Propostas de fora apareceram, mas o que eu sinto quando entro no Liberatti e vejo essa torcida… isso dinheiro nenhum paga”, confessa, ressaltando o sentimento de pertencimento e a lealdade: “No Brasil, eu não vestiria outra camisa.”

Um Filme de Emoções e Dever Cumprido

Ao tirar a joelheira pela última vez, um turbilhão de memórias invadiu Camila Brait. O primeiro dia no Liberatti, o convite de Luizomar, as companheiras que passaram pelo time, as vitórias e as derrotas doloridas. Mas o sentimento predominante foi de “dever cumprido”. “Eu saio com o coração em paz porque sei que dei tudo de mim por esse projeto em cada treino, em cada jogo, em cada passe e em cada defesa nesses 18 anos”, afirma com convicção.

Liderança com Coração e Calma

Como “porto seguro” para diversas gerações de atletas, Brait sempre buscou ir além da técnica e tática. “Em Osasco, a gente joga com o coração”, ensina. A calma de capitã, a capacidade de transmitir confiança com um “está tudo bem, a próxima bola é nossa”, moldaram sua liderança. Ela se orgulha de ver as jogadoras que passaram pelo clube construindo “grandes carreiras como atletas e seres humanos”, carregando o “peso bom” da camisa osasquense.

O Equilíbrio entre o Vôlei e a Família

A decisão de parar agora, mesmo no auge técnico, foi movida pelo desejo de priorizar a família. “Meu corpo já começa a pedir um descanso, e a rotina do alto rendimento é bem pesada”, explica. A maternidade transformou sua perspectiva: “Antes, uma derrota parecia o fim do mundo. Depois da Alice e do Romeo, eu entendi que o vôlei é o meu trabalho, minha paixão, mas a vida real é também o que acontece em casa.” O apoio dos filhos e do marido, Caio, permitiu que ela voltasse a jogar em alto nível após as gestações, e agora sente que pode dedicar 100% do seu tempo a eles.

Conselhos para a Jovem Brait e Gratidão Eterna

Olhando para trás, a Camila Brait consagrada diria à menina de 2008: “Vai com tudo, garota! Não tenha medo, porque você vai viver coisas extraordinárias aqui”. Conselharia paciência nos momentos difíceis, como em 2016, garantindo que “lá na frente a recompensa vem”. O momento mais difícil foi, sem dúvida, o corte da Olimpíada de 2016, que a fez duvidar de seu retorno. Já os momentos felizes são incontáveis, desde o Mundial de Clubes e a prata em Tóquio até cada título com Osasco e a energia do Liberatti lotado.

Ao ginásio Liberatti, Brait imagina uma mensagem de gratidão: “Obrigado por nunca desistir da gente”. Sua resposta seria: “Obrigado por ser o palco da minha vida”. A relação com o técnico Luizomar é de “verdadeiro paizão”, amigo para a vida, responsável por grande parte de sua carreira. Para a torcida, a mensagem é clara: “Simplesmente, obrigada. E seguimos juntos. Juntos por Osasco.”

Fonte: www.melhordovolei.com.br

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